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O que é passaporte digital de produto (DPP) e como preparar os dados na moda

O DPP na moda sem rodeio: o que o regulamento europeu define, o que fica para o ato delegado de têxteis e uma tabela preenchida para organizar os dados da sua peça.

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Nesta página
  1. Quando o DPP é obrigatório?
  2. O que o DPP vai pedir de uma peça de vestuário?
  3. Quando o passaporte digital chega ao vestuário?
  4. Exemplo de DPP preenchido para uma camiseta
  5. Como preparar os dados da sua peça hoje?
  6. Perguntas rápidas

Passaporte digital de produto, ou DPP (Digital Product Passport), é o conjunto de dados do produto acessível por portador de dados, previsto no Regulamento (UE) 2024/1781, inclusive na moda.

Quando o ato de têxteis estiver em aplicação, você vai enviar a Aurora, uma camiseta inventada para este texto, a um comprador europeu, e o arquivo aberto vai trazer uma composição diferente da ficha aprovada. A tarde some entre e-mails, e a peça espera. Na definição legal, o passaporte reúne a informação fixada no ato delegado aplicável (Regulamento (UE) 2024/1781, art. 2, ponto 28).

Quando o DPP é obrigatório?

Quando o ato delegado do grupo de produtos exigir, a peça só entra no mercado com passaporte disponível e dados exatos, completos e atualizados (Regulamento (UE) 2024/1781, art. 9, n.º 1).

A regra olha o mercado da União Europeia; a venda da Aurora no Brasil fica fora dela. Com comprador europeu, a composição divergente deixa a peça sem os dados exatos que a entrada exige. Para têxteis, o ato ainda é previsão.

O que o DPP vai pedir de uma peça de vestuário?

O plano de trabalho prevê composição de materiais, substâncias preocupantes e informações sobre uso seguro, reciclagem e descarte (Plano de trabalho de ecodesign e etiquetagem energética de 2025 a 2030, seção 3.2).

A lista definitiva sai do ato delegado de têxteis, que também define se o passaporte vale por modelo, lote ou item, quem acessa e atualiza cada informação e por quanto tempo ela fica disponível. Organizar a casa antes é possível, mas só o ato fecha a lista.

Quando o passaporte digital chega ao vestuário?

O plano aponta 2027 como prazo indicativo de adoção do ato para têxteis e vestuário (Plano de trabalho 2025-2030, seção 2.2.1).

Quem planeja coleção faz a conta em sequência: adoção do ato, entrada em vigor, aplicação só depois de um prazo mínimo. Em 2027 o ato é adotado; o portador de dados na peça vem depois. A Planilha, aquela que só uma pessoa entende, já tem a coluna de prazo preenchida com “2027”, como se fosse data de entrega.

Exemplo de DPP preenchido para uma camiseta

A tabela abaixo é um registro de preparação para organizar a Aurora; o modelo oficial depende do ato delegado.

CampoValor
ProdutoCamiseta Aurora, cor cru
Referência internaAURORA-CRU
Composição registradaAlgodão; proporção pendente de validação
Documento de apoioFicha Aurora aprovada; declaração do material pendente
Substâncias preocupantesInformação ainda não recebida
Uso, conservação, reciclagem e descarteOrientações aguardando validação técnica
Nível do passaporteModelo, lote ou item: definição fica para o ato de têxteis; se for lote ou item, de que lote de fio e de malha saiu cada peça?
Revisão e acesso internosProduto valida a ficha; qualidade revisa documentos; publicação aguarda aprovação

A pendência na composição fica até a evidência chegar. Composição copiada de outra camiseta é etiqueta de outra peça costurada na sua.

Como preparar os dados da sua peça hoje?

Ligue a peça ao documento primeiro e separe revisão de publicação por último.

  1. Vincule AURORA-CRU à ficha aprovada da camiseta.
  2. Peça a declaração do material para fechar a proporção de algodão.
  3. Registre a ausência de dados sobre substâncias preocupantes, sem preencher por suposição.
  4. Encaminhe uso, conservação, reciclagem e descarte para validação técnica.
  5. Separe a revisão interna da liberação para publicação.
  6. Estruture os campos em formato legível por máquina, com padrões abertos, sem ficar preso a um único sistema ou prestador de serviço.

O passaporte precisa estar ligado a um identificador único e persistente do produto, e o portador de dados na peça leva até ele (Regulamento (UE) 2024/1781, art. 10, n.º 1, alíneas a, b e d). AURORA-CRU serve ao trabalho interno, mas sua adequação como identificador do passaporte ainda precisa de verificação.

Com a declaração do material em mãos, você retoma o envio da Aurora e responde ao comprador com a composição validada e o documento que a sustenta.

Perguntas rápidas

Quanto tempo passa entre a adoção do ato e a obrigação?

A aplicação de um ato delegado não começa antes de 18 meses da entrada em vigor dele, salvo casos justificados (Regulamento (UE) 2024/1781, art. 4, n.º 4).

Que tipo de código pode ser o portador de dados?

Código de barras linear, símbolo bidimensional ou outro meio de captura automática legível por dispositivo (Regulamento (UE) 2024/1781, art. 2, pontos 29 e 30). O ato de têxteis define qual.

O DPP continua acessível se a empresa encerrar a atividade?

Sim. O passaporte fica disponível pelo período fixado, mesmo após insolvência, liquidação ou fim da atividade na União do operador que o criou (Regulamento (UE) 2024/1781, art. 11, alínea e).

Dados de clientes podem entrar no passaporte?

Só com consentimento explícito do cliente (Regulamento (UE) 2024/1781, art. 10, n.º 1, alínea e).

Passaporte bonito com dado sem prova só viaja até a primeira pergunta.

Fatos verificados

  1. O Regulamento (UE) 2024/1781 cria o quadro para requisitos de ecodesign de produtos sustentáveis.
    Fonte: eur-lex.europa.eu ↗
  2. O passaporte digital de produto é um conjunto de dados específicos do produto, com informação fixada no ato delegado aplicável, acessível eletronicamente por um portador de dados.
    Fonte: eur-lex.europa.eu ↗
  3. O portador de dados pode ser um código de barras linear, símbolo bidimensional ou outro meio de captura automática legível por dispositivo.
    Fonte: eur-lex.europa.eu ↗
  4. Quando o ato delegado exigir passaporte digital, o produto só poderá ser colocado no mercado ou posto em serviço com o passaporte disponível e dados exatos, completos e atualizados.
    Fonte: eur-lex.europa.eu ↗
  5. Cada ato delegado define os dados, o portador, seu formato e posição, o nível por modelo, lote ou item, os acessos, as atualizações e o período de disponibilidade do passaporte.
    Fonte: eur-lex.europa.eu ↗
  6. O passaporte deve estar ligado por um portador de dados a um identificador único e persistente do produto.
    Fonte: eur-lex.europa.eu ↗
  7. Os dados do passaporte devem seguir padrões abertos, ser interoperáveis, legíveis por máquina, estruturados, pesquisáveis e transferíveis sem dependência de fornecedor; dados pessoais de clientes exigem consentimento explícito.
    Fonte: eur-lex.europa.eu ↗
  8. O plano de trabalho de ecodesign e etiquetagem energética de 2025 a 2030 apresenta 2027 como prazo indicativo de adoção para têxteis e vestuário.
    Fonte: eur-lex.europa.eu ↗
  9. O plano de trabalho prevê no passaporte composição de materiais, substâncias preocupantes e informações sobre uso seguro, reciclagem e descarte.
    Fonte: eur-lex.europa.eu ↗
  10. Os requisitos concretos dos grupos de produtos são definidos por atos delegados, cuja aplicação não pode começar antes de 18 meses da entrada em vigor, salvo casos justificados.
    Fonte: eur-lex.europa.eu ↗
  11. O passaporte deve continuar disponível pelo período fixado inclusive após insolvência, liquidação ou cessação da atividade na União do operador responsável por criá-lo.
    Fonte: eur-lex.europa.eu ↗

Fontes

  1. https://eur-lex.europa.eu/legal-content/EN/TXT/HTML/?uri=CELEX:32024R1781
  2. https://eur-lex.europa.eu/legal-content/EN/TXT/HTML/?uri=CELEX:52025DC0187

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