Valentino Garavani: o que a morte do “imperador da alta-costura” ensina sobre gestão, produto e legado na moda

Valentino Garavani: o que a morte do “imperador da alta-costura” ensina sobre gestão, produto e legado na moda

January 25, 20264 min read

Valentino Garavani morreu em 19 de janeiro de 2026, aos 93 anos, em Roma.

Para além das homenagens e da comoção natural, a partida dele é um marco para executivos de moda por um motivo simples: Valentino não foi apenas um criador. Ele construiu um sistema de excelência, estético, operacional e simbólico, que atravessou décadas, mudanças culturais e ciclos de consumo.

E, num mercado onde “velocidade” muitas vezes virou sinônimo de “mais coleção, mais SKU, mais pressa”, a trajetória dele deixa um recado bem atual: legado não nasce do improviso. Nasce de método.

O que Valentino construiu

Valentino se tornou sinônimo de alta-costura italiana no mundo, com um posicionamento de elegância “sem ruído”, obsessão por acabamento e uma assinatura visual que virou ativo: o “Valentino Red” (que, segundo relatos, teria sido inspirado por uma mulher elegante vista em Barcelona). Ele fundou a maison em Roma em 1960, ao lado de Giancarlo Giammetti, e vestiu figuras como Jackie Kennedy, Elizabeth Taylor e uma constelação de celebridades e mulheres de poder.

Aposentou-se em 2008, mas sua marca seguiu como potência global, passando por ciclos societários e, mais recentemente, com participação da Kering no capital do negócio. Esses fatos importam porque mostram o “como”: Valentino não venceu só por criar. Ele venceu por transformar criação em padrão.

6 lições práticas para executivos de moda

1) Assinatura é estratégia

Valentino construiu reconhecimento imediato: silhueta, acabamento, repertório de materiais e o “vermelho” como código. Na prática: marca forte não é “campanha boa”. É consistência repetida com intenção.

Pergunta de board: “Quais 3 códigos de produto fazem o cliente reconhecer a nossa marca sem ver o logo?”

2) Excelência depende de processo invisível

Alta-costura é, por definição, gestão de detalhe: prova, aprovação, ajuste, variação de medidas, controle de insumo, prazo. Quando isso não é sistema, vira sofrimento. Quando é sistema, vira escala com padrão.

Tradução para a moda enterprise hoje: se a empresa não confia 100% em ficha técnica, cadastro e aprovações, ela não tem “DNA” tem versões.

3) Relação é produto: o luxo sempre entendeu clienteling antes do CRM

Valentino vestiu mulheres que viraram embaixadoras orgânicas do seu legado. O que isso ensina para qualquer segmento: a marca se torna forte quando ela sabe quem veste, por quê, e o que entrega na vida real.

4) Cultura é vantagem competitiva (e o mercado subestima isso)

As homenagens pós-morte ressaltam um ponto: a moda não celebra só o vestido; celebra a visão de beleza e a forma de trabalhar. Para executivos, “cultura” deixa de ser papo abstrato quando você percebe que ela é o que sustenta qualidade sob pressão de calendário.

5) O criativo precisa de infraestrutura para continuar sendo criativo

Quanto maior a operação, mais a criatividade morre em retrabalho: planilha paralela, PDF perdido, “cadastro que ninguém confia”, aprovação que não tem trilha.

O case da uMode como leitura moderna do “método Valentino”

Valentino provou que excelência vem de repetição bem desenhada. A uMode leva esse mesmo princípio para a realidade enterprise: transformar o ciclo do produto em um fluxo único, rastreável e confiável.

Um exemplo público e bem objetivo é o case da Reserva: com a digitalização do desenvolvimento via uMode Fashion PLM, a marca reporta 4x mais modelos desenvolvidos com o mesmo time, 25% menos tempo de follow-up e 30% menos erros na engenharia de produto.

Isso é a tradução contemporânea do “atelier bem gerido”:

  • Menos ruído entre Estilo, Produto e Engenharia;

  • Menos retrabalho por versões divergentes;

  • Mais previsibilidade para decidir e executar.

Quando o dado de produto vira ativo (não subproduto), a empresa consegue fazer algo que parece simples, mas é raro: decidir rápido sem perder padrão.

O playbook executivo: como aplicar amanhã

Se você lidera uma operação de moda e quer transformar “legado” em resultado (margem, prazo e consistência), use esse checklist:

  1. Defina “verdade única do produto”: onde vivem ficha técnica, aprovações, custos e histórico?

  2. Crie governança do dado: quem é dono da qualidade do cadastro? (sem dono, não há confiança)

  3. Desenhe o fluxo fim a fim (briefing → ficha técnica → insumos → custos → aprovação → pedido) e elimine etapas “fantasmas”

  4. Trate identidade como KPI: consistência de coleção e códigos de marca são mensuráveis (não só “sensação”)

  5. Liberte o criativo do operacional: o tempo do time deve ir para decisão e produto, não para caça a informação

A morte de Valentino encerra um capítulo, mas deixa um manual: o luxo não é só estética, é método.

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