
Valentino Garavani: o que a morte do “imperador da alta-costura” ensina sobre gestão, produto e legado na moda
Valentino Garavani morreu em 19 de janeiro de 2026, aos 93 anos, em Roma.
Para além das homenagens e da comoção natural, a partida dele é um marco para executivos de moda por um motivo simples: Valentino não foi apenas um criador. Ele construiu um sistema de excelência, estético, operacional e simbólico, que atravessou décadas, mudanças culturais e ciclos de consumo.
E, num mercado onde “velocidade” muitas vezes virou sinônimo de “mais coleção, mais SKU, mais pressa”, a trajetória dele deixa um recado bem atual: legado não nasce do improviso. Nasce de método.
O que Valentino construiu
Valentino se tornou sinônimo de alta-costura italiana no mundo, com um posicionamento de elegância “sem ruído”, obsessão por acabamento e uma assinatura visual que virou ativo: o “Valentino Red” (que, segundo relatos, teria sido inspirado por uma mulher elegante vista em Barcelona). Ele fundou a maison em Roma em 1960, ao lado de Giancarlo Giammetti, e vestiu figuras como Jackie Kennedy, Elizabeth Taylor e uma constelação de celebridades e mulheres de poder.
Aposentou-se em 2008, mas sua marca seguiu como potência global, passando por ciclos societários e, mais recentemente, com participação da Kering no capital do negócio. Esses fatos importam porque mostram o “como”: Valentino não venceu só por criar. Ele venceu por transformar criação em padrão.
6 lições práticas para executivos de moda
1) Assinatura é estratégia
Valentino construiu reconhecimento imediato: silhueta, acabamento, repertório de materiais e o “vermelho” como código. Na prática: marca forte não é “campanha boa”. É consistência repetida com intenção.
Pergunta de board: “Quais 3 códigos de produto fazem o cliente reconhecer a nossa marca sem ver o logo?”
2) Excelência depende de processo invisível
Alta-costura é, por definição, gestão de detalhe: prova, aprovação, ajuste, variação de medidas, controle de insumo, prazo. Quando isso não é sistema, vira sofrimento. Quando é sistema, vira escala com padrão.
Tradução para a moda enterprise hoje: se a empresa não confia 100% em ficha técnica, cadastro e aprovações, ela não tem “DNA” tem versões.
3) Relação é produto: o luxo sempre entendeu clienteling antes do CRM
Valentino vestiu mulheres que viraram embaixadoras orgânicas do seu legado. O que isso ensina para qualquer segmento: a marca se torna forte quando ela sabe quem veste, por quê, e o que entrega na vida real.
4) Cultura é vantagem competitiva (e o mercado subestima isso)
As homenagens pós-morte ressaltam um ponto: a moda não celebra só o vestido; celebra a visão de beleza e a forma de trabalhar. Para executivos, “cultura” deixa de ser papo abstrato quando você percebe que ela é o que sustenta qualidade sob pressão de calendário.
5) O criativo precisa de infraestrutura para continuar sendo criativo
Quanto maior a operação, mais a criatividade morre em retrabalho: planilha paralela, PDF perdido, “cadastro que ninguém confia”, aprovação que não tem trilha.
O case da uMode como leitura moderna do “método Valentino”
Valentino provou que excelência vem de repetição bem desenhada. A uMode leva esse mesmo princípio para a realidade enterprise: transformar o ciclo do produto em um fluxo único, rastreável e confiável.
Um exemplo público e bem objetivo é o case da Reserva: com a digitalização do desenvolvimento via uMode Fashion PLM, a marca reporta 4x mais modelos desenvolvidos com o mesmo time, 25% menos tempo de follow-up e 30% menos erros na engenharia de produto.
Isso é a tradução contemporânea do “atelier bem gerido”:
Menos ruído entre Estilo, Produto e Engenharia;
Menos retrabalho por versões divergentes;
Mais previsibilidade para decidir e executar.
Quando o dado de produto vira ativo (não subproduto), a empresa consegue fazer algo que parece simples, mas é raro: decidir rápido sem perder padrão.
O playbook executivo: como aplicar amanhã
Se você lidera uma operação de moda e quer transformar “legado” em resultado (margem, prazo e consistência), use esse checklist:
Defina “verdade única do produto”: onde vivem ficha técnica, aprovações, custos e histórico?
Crie governança do dado: quem é dono da qualidade do cadastro? (sem dono, não há confiança)
Desenhe o fluxo fim a fim (briefing → ficha técnica → insumos → custos → aprovação → pedido) e elimine etapas “fantasmas”
Trate identidade como KPI: consistência de coleção e códigos de marca são mensuráveis (não só “sensação”)
Liberte o criativo do operacional: o tempo do time deve ir para decisão e produto, não para caça a informação
A morte de Valentino encerra um capítulo, mas deixa um manual: o luxo não é só estética, é método.